10 anos | Parte I – Os primeiros Clientes

18 Fevereiro 2026

O meu primeiro Cliente foi a Ambifaro.

Uma empreitada de 24 meses que consistia em desenvolver um Plano de Marketing Estratégico e um Plano de Comunicação, acompanhar a sua implementação e desenvolver pontualmente alguns trabalhos identificados como prioritários. Foi o que fiz. Candidatei-me a um concurso público que foi aberto na altura…

Uma coincidência, por sinal…

O projeto em si era fascinante: unificar um orçamento gasto de forma pluridisciplinar por diversas entidades camarárias num único propósito, numa única visão comum. Foi esta empresa municipal que decidiu desenvolver um plano efetivo de planeamento e monitorização da comunicação. Foi a Ambifaro que teve como objetivo a produção de um documento que tivesse como principal concretização a estratégia de elevação de Faro, no seu todo, a uma cidade internacional, repisando em toda e qualquer oportunidade de comunicação a sua marca, a sua força, o seu âmago. 

A orientação estava lá, mas a prática era bem diferente. As pessoas de fora criticavam tudo o que fosse feito e vaiavam todos aqueles que o quisessem fazer. “Faro é Faro” explica muita coisa. É preciso coragem para investir e inovar. A chefia com quem eu me relacionava, a tal pessoa que falei noutros capítulos, tremia com opiniões menos favoráveis. Tudo era provisório até ser validado pela opinião pública…

Vi coisas estranhas. Muito estranhas.

Tive a oportunidade de trabalhar com personalidades do marketing político. Aprendi muito. Realizamos entrevistas a dezenas de pessoas, registamos testemunhos de chefes de divisão, vereadores, líderes de opinião, altas chefias, representantes, muitas pessoas. 

E depois, identifiquei padrões. Fiz uma tabela com a hierarquia das necessidades para Faro. Tudo opiniões, ideias e vontades elencadas por aqueles com quem falei/ falamos. Algumas ideias acrescentei, mas sempre de forma democrática. 

Assim que chegamos a uma lista, priorizei objetivos, desenhei tarefas, defini responsabilidades e prazos de execução; concebi metodologias, apurei caminhos e procurei referências onde esta missão tivesse sido edificada no mundo. Encontrei tanta coisa boa. Adorei esta projeção. Esta Visão para a minha cidade. Para a minha terra. 

Trabalhei afincadamente na produção de um documento sério, com um propósito neutro, com experiência e paixão. Mas, a “estratégia do polvo” – como lhe chamo -, a cidade acessível por todo o tipo de transportes e a consequente e implícita Visão Maior Internacional foram mortas à nascença. Sucumbidas. Desastrosamente arrumadas por um espírito menor e sem ambição; por influência pequena, baixa, mesquinha, sem nível ou ambição. Brejeira até. Nem teve oportunidade de respirar o ar. Não foi apresentada a ninguém. Só ao dito cujo. E foi preciso forçar essa reunião que teve lugar no meu escritório ao final do dia, à pressa, sem as condições certas para a fazer valer; para vender a ideia; para convencer como deveria.

Da equipa com quem trabalhei, destaco a magia do Joaquim Guerreiro que, infelizmente, também já partiu; mas cujo cerne, amplitude e olhar transpunham fronteiras geográficas para uma multiculturalidade sem paralelo. Glocal: Think global, act local. Pensar diferente dá trabalho. É preciso explicar. O Joaquim sabia disso. Ele, que teve a Visão de candidatar Faro à Capital Europeia da Cultura para 2027, que se tinha recentemente posicionado dentro do partido para ser líder e candidato a Presidente da Câmara Municipal de Loulé, que trouxe Serralves a Faro, que geriu o Teatro das Figuras, entre muitas outras coisas, era Grande. Sem ele, tudo desmoronou. Não havia Capital Humano capaz de acompanhar. Não cumpriu o seu papel. Ficou com tanto por fazer. Tanto…

Passou-se um tempo e nada aconteceu. Diariamente surgiam pedidos sem sentido que eu acautelava. Continuei a participar nas reuniões e a envolver-me nas conversas para as quais me chamavam a participar. Inclusive, ainda recebi um convite para participar numa palestra sobre marketing e comunicação que aconteceu na Universidade do Algarve, na Penha. O orgulhoso filho da terra a pensar que ia mudar o mundo.

Curiosas coincidências.
Coincidências apenas, ou não.
Curiosas, também não.
Coincidências, de todo.

O meu segundo Cliente foi a Câmara Municipal de Faro. 

Recebi um convite para apresentar uma proposta para um ajuste direto sobre uma publicação esquecida da autarquia. Foi definida uma equipa específica pelo executivo, composta por membros da autarquia e por membros de empresas municipais, para colaborar com a B16 na recuperação do Correio de Faro, uma publicação “parada” há largos anos. Redesenhamos o layout base da publicação com a ajuda de um designer freelancer de Loulé, o Alexandre Rito. Reorganizamos as rubricas, produzimos conteúdos, tiramos fotografias, entrevistamos pessoas, exploramos lugares, conhecemos temáticas, mergulhamos a fundo em Faro e nos seus farenses. 

O sonho era simples: conceber um projeto maior para Faro e para os seus habitantes que, politicamente falando, aproveitasse a oportunidade de comunicar entretenimento, para identificar os votantes do concelho e conhecê-los através de um trabalho continuado de presença física em cada lugar. Ouvindo e registando as suas opiniões. As suas críticas. As suas necessidades. 

A ideia era muito interessante: criar a linha editorial todos os meses, escrever/ fotografar/ desenhar, imprimir e, o mais importante de tudo, distribuir exemplares em todos os pontos-chave do concelho. Era nesses pontos que poderíamos perceber o que as pessoas pensavam sobre o executivo e onde recolhemos opiniões, críticas, sugestões, de forma regular e continuada.

Neste projeto tive a oportunidade de trabalhar com várias pessoas. Haviam muitos departamentos envolvidos. E eu tive muita sorte, pois tive a oportunidade de voltar a trabalhar com a “minha” Rute novamente – ela fazia parte da equipa da Ambifaro – e com o Nuno Silva. Ambos participavam ativamente no projeto com sugestões, com textos, artigos, ideias, eram eles que conheciam o terreno e as necessidades dos temas “quentes”.

Tive muita sorte pois a Rute é a “minha” Mulher; a Mãe dos meus filhos; a minha companheira de viagem há mais de 15 anos… Só ela ocuparia um livro inteiro para adjetivar ou contar qualquer pormenor sobre o Ser Humano que está por detrás do nome Rute. Não é sobre ela que quero falar, é sobre o Nuno. Não sei bem como descrever o que sinto pelo Nuno Silva. É demasiado familiar para compreender. O Nuno é de uma inteligência rara e de uma ternura humana fora do comum. Não houve um dia neste processo em que não me fizesse sorrir. Gostei tanto de trabalhar com ele. Profissional, assertivo, prático, responsável, cumpridor, proativo. O Nuno Silva é uma pessoa boa. E eu tive a oportunidade de trabalhar com ele.

Trabalhámos afincadamente na produção dos conteúdos do jornal e na sua distribuição em mão. Mapeamos o concelho. Atribuímos responsabilidades. Focamo-nos em cobrir todas as freguesias ao detalhe. Desenvolvemos uma técnica para cobrir todo o concelho e estar diariamente no terreno. Falávamos com as pessoas, visitávamos os lugares, sentíamos os temas. Diariamente.

Até fizemos um mini vídeo sobre o projeto que explica de forma simples como funcionava esta missão. Foi o João Costa quem o filmou e editou (mas irei ao João mais tarde, a seu tempo).

Passados alguns meses, começaram os problemas. Percebemos os “podres”, os “telhados de vidro”, as “porcelanas” da coisa e isso implicou jogos políticos que nos transcendiam. Nem tudo é o que parece ser… – talvez nada, ou muito pouco -. Aprendi à minha custa, mais uma vez, que a paixão e o amor não se coadunam com certos mundos. A política é uma forma de estar que não se coaduna com pessoas de princípios. Essa é a verdade. A mentira, a cobardia e a manipulação irritam-me. Vi muito disso.

E no meio deste processo havia eu: o Bruno. Durante muito tempo esqueci-me disso. Estes meus tombos profissionais levavam-me a procurar refúgios. Eu ainda não era pai e tinha vindo recentemente de um país do terceiro mundo. Dias longos, noites compridas… se é que me faço entender. Falarei mais sobre isso no próximo capítulo.

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