Há dois lados da B16 que me deixam brutalmente orgulhoso: o profissionalismo com que encaramos os nossos desafios, com que desenvolvemos o nosso trabalho, com que aperfeiçoamos a qualidade do produto final, com que gerimos as diversas tarefas em curso; e o espírito de equipa com que trabalhamos, com que nos envolvemos, com que nos entregamos, como se de uma segunda família se tratasse. Esta é a receita para que a B16 tenha persistido e durado tanto tempo.
Se no início do ano de 2020 eu sofrera na pele as consequências de ficar sem equipa; a meio do ano a janela abriu-se e deixou o sol, o perfume das rosas, as borboletas e a magnitude energética de duas pessoas em particular entrarem e renovarem o espírito: o Nuno Relógio e o João Costa (sim, mais uma vez, esse jovem).
Com o início da pandemia e confinamento absoluto tive a necessidade de cortar por completo com todas as despesas e custos fixos. Tive de contrair um empréstimo bancário para consolidação dos custos. Tive de encurtar todo o tipo de despesas como estratégia de proteção individual e limitada. Depois, enquanto renovava a estratégia do negócio nos meus momentos em família – sim, porque nos momentos mais inesperados, a nossa mente dá-nos respostas profundas -, fui desenhando possibilidades de reenquadramento enquanto agência no mercado. Mantinha a minha relação com o MAR Shopping Algarve e com a Infralobo, mas eram necessários outros passos para dar saltos qualitativos e ressuscitadores na B16.
O governo da altura lançou um conjunto de medidas. Bancárias, sociais, programáticas, estruturantes, em concertação com diversas organizações. Uma dessas organizações foi a CCDR Algarve que também ela estava a adaptar os seus programas de incentivo aos momentos que o mundo atravessava. E foi por esta altura que nos candidatamos ao programa +CO3SO, com vista ao apoio à contratação de recursos humanos nas empresas. Juntamente com o Paulo Pereira da Neomarca apresentámos uma candidatura e esperamos pelas respetivas respostas. Foi um processo demorado, mas com um final feliz.
À medida que as restrições abrandavam, começaram a surgir pedidos por parte dos Clientes. E foi necessário retomar contactos com as pessoas com quem eu tinha trabalhado no passado. Tentei o João Guerra, mas não surtiu efeito. Tentei o Nuno Relógio e o João Costa, novamente. Nessa fase, os trabalhos eram escassos e a B16 tornou-se uma entidade respeitável para eles os dois. Sorte a nossa.
Foi a meio do ano que surgiu o primeiro pedido de produção de vídeo: do MAR Shopping Algarve e do Designer Outlet Algarve, em simultâneo. Queriam preparar conteúdos para informar os seus Clientes de que ambos os lugares iriam proteger-se, desinfetar-se e preparar-se para abrir portas no curto espaço de tempo. Ficámos radiantes com a oportunidade e dissemos logo que sim. O primeiro trabalho que fizemos foi essa filmagem. Arrepiante. Assustador. Cinematográfico. Creepy! Falei com o Nuno Relógio, o meu primeiro telefonema, que se prontificou a captar imagens. Agendámos o dia e lá fomos nós, para dois espaços comerciais desérticos, com uma equipa radioativa e extraterrestre. Dava medo. De skates nos pés, proteções e muito álcool gel, lá fomos captar este momento impactante, histórico e memorável.


Estivemos lá. Fizemos isto:
Depois, com este trabalho, surgiram outros:
Também liguei ao João Costa para participar. Numa tarde de trabalho, demos por nós no shopping, todos de skate nos pés, a deambular pelo chão limpo, ideal para o som das nossos rolamentos… foi mágico.
E é este tipo de imagem a que me refiro quando as energias estão no lugar certo. Houve química. Criou-se a cumplicidade certa. Nasceu a equipa que iria dar cor aos próximos meses da empresa.
À medida que o mundo abria as suas portas, surgiu a oportunidade de mudarmos a sede da B16 para a CELFIL, uma incubadora de empresas localizada no Montenegro, bem perto das Gambelas. Conseguimos um escritório nesse espaço e adaptámos a nossa existência ao lugar que estava em fase de mudança e crescimento. Aproveitamos tudo. Aproveitamos objetos abandonados para servirem de mobília; aproveitamos espaços para produzir conteúdos; aproveitamos linhas para gravar vídeos de skate profissionais para o Nuno. O João filmava e o Nuno enviava para os seus patrocinadores.


Acho que já falei do Nuno Relógio. Acho que já escrevi sobre ele. Mas nunca é demais referir que gosto mesmo muito dele. Da sua postura. Da sua presença. Da sua personalidade. O Nuno é coragem, estilo, presença, atitude. O Nuno é amizade, alegria e humor. O Nuno é uma companhia deliciosa se o ambiente for o ideal. Mas falta-lhe ambição. Se o Nuno tivesse ambição, se se sacrificasse um pouco mais por ela, o Nuno estaria noutro patamar. Ele tem um dom artístico. Ele é artista. A sua forma de skatar comprova-o distintivamente. É ele próprio. E quem tem essa bênção, pode chegar muito longe, mesmo, se assim o efetivar. Mas o Nuno gosta de estar, de viver, de ser, aqui e agora. E essa característica retira-lhe o “depois” a que me refiro. Mas eu tive a sorte de colaborar com ele. De trabalhar com ele. De estar com ele todos os dias. De vê-lo trabalhar, skatar, pensar, criar. O Nuno é uma memória boa que tenho na B16. Trabalhou comigo muitas vezes como freelancer até 2020. Em 2020 contratei-o. Trabalhou comigo até 2022 e depois foi à vida dele. Lá chegarei, quando abordar esse ano. Mas sempre que o vejo, abraço-o, sorrio e dou graças à pessoa que ele é. Gosto imenso do Nuno.
Chegou a fazer linhas de skate incríveis. Únicas, até. Algumas fizeram parte do seu profile para a marca Vans. Outras ele cedeu para o showreel da B16, editado pelo João Costa nesse mesmo ano. Um conteúdo que nos fazia imensa falta na altura. Que precisávamos de ter para nos apresentarmos ao mercado. E que teve e tem uma identidade própria:
Nesse ano, criámos uma relação muito forte os três. A B16 cresceu muito com essa química. Falámos sobre a presença no mercado: que serviços promover, a quem, de que forma. Falámos de que canais, de que redes sociais, de que mensagens. Falámos sobre a primeira newsletter da empresa. Da análise da concorrência. De novos Clientes. Da nossa estratégia comercial. Da nossa apresentação comercial. Do nosso portfólio. Da rubrica “Visions by Nuno Relógio” de antigos Clientes.




Estávamos conectados enquanto equipa. Com o skate, o underground, a música, o lifestyle como fatores de união. Apesar de ser o único pai no grupo, sentia-me adolescente. Sentia-me novo. Rejuvenescido. Livre. Depois do Covid, a postura mental era de libertação e irreverencia. E eles corroboravam-na. Foi único. Lindo. Foi uma fase muito boa da empresa. Com pouco dinheiro, poucos recursos, pouca ambição, estávamos e estivemos os 3 em total cumplicidade durante largos meses. Chegámos a ir a Sagres juntos, algumas vezes.
Celebrávamos a vida. Sem tempo. Sem horário. Se havia trabalho, éramos missionários; se não havia trabalho, procrastinávamos juntos. Partilhávamos referencias. Opiniões. Caminhos. Estávamos todos preocupados com o futuro da empresa. E eu senti-o. E vivi-o com ânimo redobrado. Fomos uma crew sem paralelo.
Numa nota pessoal, a minha gratidão para com o Nuno e com o João não tem palavras. Há assuntos que não precisam de ser partilhados ou levados a público. Há assuntos que, por uma questão de respeito alheio, devem ficar restritos em círculos fechados. Houve um assunto em particular que pesou imenso nesse ano e que teve de ver com o meu pai. O Nuno e o João foram tão íntegros quanto a definição da palavra o permite. Exemplares, até. Devo-lhes muito.
Nesse mesmo ano, à medida que produzíamos conteúdos, implementávamos estratégias, definíamos linhas de raciocínio, iam surgindo pedidos específicos de trabalho. Destaco:
O pacote de conteúdos de vídeo que produzimos para a Associação Nascer Prematuro:

e
O pacote de conteúdos de vídeo que produzimos para o Designer Outlet Algarve, no âmbito do movimento Outubro Rosa:

Qualquer um dos trabalhos acima referidos serve para provar que o que fazemos faz sentido. Serve para nos posicionarmos como prestadores de serviços de uma utilidade incrível. Eu senti-o em ambos. Nos diversos conteúdos que produzimos para ambas as causas, fartei-me de aprender. Sobre saúde, sobre individualidade, sobre o percurso e caminho que temos na vida. Tanto a prematuridade como o cancro da mama são temas de uma profundidade tal que a nossa essência é colocada em causa. E neste terço de 2020, colocamos em perspetiva muita coisa. Eu, inclusive, senti-o na pele com o cancro do meu pai. Com o seu internamento. Com a sua hospitalidade. Com o seu acompanhamento. E a saúde mental é um assunto importante que não podemos descurar.
Fomos profissionais e entregámos com qualidade exemplar.

Ressuscitamos das cinzas num ano que tinha tudo para ser perfeito, mas que sofre um terramoto destruidor que tudo e todos arrasa. Onde tivemos força e postura para recomeçar do zero. Onde fomos perseverantes. Resilientes. Íntegros.
Fomos equipa.
E eu, enquanto homem do leme desta entidade que represento, há momentos que não posso descurar ou esquecer. Este foi um deles. Um momento que me faz sorrir, sempre que me lembro dele. Um momento de pouco dinheiro, mas muitos sorrisos. Um momento de poucas pessoas, mas muita cumplicidade. Foi a partir deste momento que a cultura da empresa começou a nascer. A emergir. A ganhar forma.
PS – Pelo meio, numa discussão caseira, dei um soco numa porta e arrebentei a minha mão direita toda. Parti 4 ossos ao mesmo tempo. E assim fiquei, em recuperação, por largos meses do meu percurso. Apenas uma nota para não deixar passar em vão. Uma mão que nunca mais foi a mesma. Vale o que vale. Adiante.
