Passei a ter tempo para agarrar outros desafios. Comecei a fazer telefonemas. A falar com pessoas. A recuperar contactos do “antigamente”. Comecei a enviar e-mails. A propor colaborações. E foi assim que comecei a trabalhar com outros Clientes.
A minha faturação de 2016 conta histórias lindas. Nesse ano, passei faturas de dois, três e quatro zeros. Aceitava tudo. Não questionava o que estava por detrás dos projetos e mergulhava neles. Queria fazer, ter Clientes, trabalhar. Queria ganhar existência. E fico tão feliz por ter pessoas que acreditam em mim, mesmo com aquilo que não consegui fazer por elas. Há uma em particular que me tem dado muito. O Cláudio Martins. A seu tempo falarei dele. Não é o momento por agora.
Desafios como: o lançamento da extinta boutique Pure Relax, com website, flyers, fotografias personalizadas, redação de textos, design de vouchers, anúncios, newsletters, entre outros trabalhos que ocorreram em 2016. As conversações para o início da consultoria ao projeto Cool Pass, com a criação do Grupo Prime Pass, o trabalho nas outras marcas do grupo, dentro do mesmo conceito de plataforma de fidelização também começaram no final deste ano. As curtas tentativas de redação de textos para o website da Cars and Cars também foram neste ano. O início da criação da imagem gráfica para a Foz Clinic também foi por esta altura. Foi um ano intenso, complexo, cheio de coisas a acontecer.
Os padrões que identifico nestes trabalhos são: a imagem de mim a correr de um lado para o outro e o fracasso em todos eles. Se os meus dois primeiros Clientes tinham sido um flop por vários motivos, os novos foram-no pela minha falta de preparação (estava em processo de cura, como referi no capítulo anterior, e talvez por isso tenha sido como foi).
É importante referir que eu não sei fazer nada ao nível técnico. Não sei filmar. Não sei desenhar. Não sei fotografar. Não sei editar. Não sei programar. Sou sobretudo um ser pensante. Sou comunicador de formação. Sei gerir. Planear. Projetar. Avaliar. Decidir. Escolher. Sentir “se é por aqui ou por ali”. Analisar. Investigar. Preparar. Vender. Entre outras qualidades e conhecimentos que considero ter, mas que na verdade, tecnicamente falando, pouco ou nada servem quando falamos de empreitadas pequenas. E eu nunca quis fazer coisas pequenas. Tentava solucionar cada projeto, daqui e dali. Com esta e aquela pessoa. Uns melhores, outros piores. Mas ninguém com quem eu me identificasse, sentisse ou entrosasse de forma contínua. Eram empreitadas finitas. Com princípio, meio e fim. Onde se negociavam valores. Quanto mais barato, melhor.
Não tinha pessoas a trabalhar comigo. Nem qualificadas, nem desqualificadas. Era só eu. E naquele ano eu também não conhecia talentos locais. Não tinha como satisfazer as necessidades dos Clientes que estava paulatinamente a seduzir. Hoje percebo que no setor em que operamos é muito importante trabalhar com talentos. Ter uma carteira deles: freelancers, artistas, agências, parceiros, soluções. Cada vez mais. Quanto mais exclusivos, melhor. Vejo cada colaborador como um artista plástico. Como um talento. E, normalmente, quanto maior o talento, maior a dificuldade em trabalhar com ele.
Surpreendentemente, 2016 trouxe consigo uma pessoa: o João Costa.
Foi no final de 2016 que comecei a trabalhar com ele mais amiúde. Um Game Changer. Aprendi muito com o João. Transformou a minha vida a partir daí. Deu gás ao que a B16 veio a fazer mais tarde. Eu e ele já éramos massa cinzenta em ebulição. Passamos momentos inesquecíveis naquele primeiro escritório da B16. Guardo-os com um enorme carinho. Ambos fazemos bodyboard, ambos temos gosto por culturas underground como o skate, o graffiti e a música, entre outros temas. Temos educações semelhantes. Crescemos juntos, de certa maneira.
E eu, que pensava que tinha uma agência de marketing e comunicação, julgando que tinha de andar de blazer e roupa “chique”, não fosse aparecer “o mau olhado”, percebi naquele ano que o interior tem uma força subsequente ao valor formal de uma embalagem.
Eu que pensava que tinha uma agência de marketing e comunicação, onde os esquemas formais, o business, os diagnósticos, as análises, os números, os enquadramentos, os públicos-alvo eram mais importantes do que a solução propriamente dita.
Até eu, que pensava ter uma agência de marketing e comunicação séria e formal, dei por mim a brincar com bonecos, a pintar com lápis de cera, a amarrotar e a colar papéis como quando fui criança.
Foi com o João que voltei a brincar. Décadas depois dos índios e dos cowboys, inventei personagens, escolhi adereços, criei cenários, narrativas, histórias e desfechos. Neste caso havia processos. Era sério. O João ensinou-me a enquadrar. A conflituar. A resolver. “Enquadramento, conflito, resolução”, dizia ele. Com Playmobil. Com Lego, com brinquedos diversos. Brincávamos à séria. Fazíamos barulhos com a boca. Daqueles, como nos filmes.
E esses brinquedos – mal imaginava eu – mudaram as nossas vidas.
Esses brinquedos, que na altura eram poucos e que hoje são muitos, mudaram o rumo da B16 para sempre. Hoje, temos centenas de bonecos guardados, espalhados e expostos no nosso jardim zen, no nosso dojo, no nosso escritório, na nossa casa. Alguns contam histórias lindas. Outros foram alvo de assassinatos, pilhagem e destruição. Outros foram roubados por amor. Outros oferecidos. Outros, simplesmente, esconderam-se algures. Por aí.
O João é especial. Muito.
É sensível, frágil e delicado.
É engraçado, inteligente e cativante.
É inseguro, confuso e perturbado.
É cultura, conhecimento, estilo e personalidade.
Quando ele quer, o João é companhia para todos os momentos.
E há dias em que o João é um artista como há poucos.
Dele saem peças, visões, projetos absolutamente inovadores, genuínos e artísticos.
Ao longo dos dez anos da B16 há diversos estados de espírito que pautam a nossa relação.
Independentemente de todos eles, devo-lhe muito. A B16 deve-lhe muito.
O João foi vento que entrou dentro de casa em dia seco de verão.
Foi brisa leve e fresca que trouxe ideias, sorrisos e motivação.
Esquecer-me do João é negar o sucesso que a B16 tem hoje.
Foi essencial. Transformador.
Foi companhia.
Epílogo / Desfecho / Posfácio / Nota final da PARTE I
2016 foi o início de um percurso profissional não antecipado, pensado ou imaginado por mim. Foi um momento novo. Uma vida nova. Algo não idealizado que acabou por se transformar num modo de vida que brilha até aos dias de hoje.
Abrir um negócio é algo salutar. Deve-se a inúmeras razões possíveis: uma forma de ganhar dinheiro, de mudar de vida, de mudar de rumo, um sonho por realizar, entre tantas razões ou motivos. Uma oportunidade. Um mindset. Tanta coisa. No meu caso concreto, coincidiu com várias coisas ao mesmo tempo. Motivos geográficos, sociais, operacionais, estruturais, familiares, individuais, entre outros.
Passados dez anos, ainda hoje me recordo:
Do Ricardo Nascimento nalguns momentos em particular;
Do meu Amigo e Professor;
Das desilusões que me ensinaram tanto neste período;
De Faro e das suas gentes;
Das pessoas com quem trabalhei;
Dos erros que cometi;
Dos passos que dei.
Recordo-me de mim naqueles tempos. E do primeiro dia no balcão do empresário. Somos diferentes.
Não tenho medo de trabalhar. Nunca tive. Nunca terei.
Gosto do que faço e como faço. E adoro aprender. Evoluir.
Sou.
E, embora não consiga potenciar todas as oportunidades que se me deparam, por não ser movido por dinheiro, tenho momentos em que há causas que bebem o melhor que há em mim. Movo montanhas quando me sinto assim. Se for acompanhado, movo continentes.
Os anos que se seguiram demonstram-no.
O caminho da B16 demonstra-o.
O guerreiro que tatuei no braço demonstra-o.
Se fizermos com amor, com paixão, com valores, os resultados aparecem.
Em 2017 vieram coisas lindas. É o ano do capítulo que se segue.