10 anos | Parte III – Tons de vozes

27 Maio 2026

Definir um tom de voz significa definir uma personalidade. Significa definir um estilo. Uma persona. Definir um tom de voz de uma marca significa todo um conjunto de significantes e significados que compõem a escrita, o discurso, e a forma como a mensagem é transmitida. O tom de voz é de extrema importância. A Marca sem Tom é apenas forma. A Marca com tom de voz é relacionamento. É identidade. É compromisso. É carácter. São valores em palavras.

O tom de voz pode variar de acordo com o que se pretende demonstrar ou atingir. Formalismo, descontração, autoridade, diversão, entretenimento. O tom de voz vai muito além das palavras. Ele é responsável pela conexão. E essa pode ser maior ou menor de acordo com a sua assertividade. Mais ou menos empática. Mais ou menos agregadora. Mais ou menos diferenciadora. Não é fácil encontrar um tom de voz perfeito. Profissionalmente falando, claro.

Hoje, olhando para trás, vejo de forma clara o que fizemos nesse ano de 2018. Não foi pouco. Certamente que não foi. O turbilhão de projetos em que nos envolvemos dificilmente teria estes resultados se não estivéssemos inteiramente alinhados. E não apenas eu e o João. Neste ano trabalhámos com mais pessoas, de forma pontual. Trabalhámos com freelancers como o Diogo Gordinho Lima, o André Aleixo, o Artur Marcus, a Vânia Romeira Martins, o Ricardo Flôxo e o Nuno Relógio. Todos, sem exceção, agregando valor. A ajudar a compor. A melhorar o produto final. A seu tempo falarei deles. De forma individual. E os resultados que obtivemos têm essa premissa inicial bem estruturada: o tom de voz de cada um deles.

O primeiro, sem nos apercebermos, foi o MAR Shopping Algarve. Começámos esse trabalho no ano anterior, como referi, e a partir de outubro atingiu um nível de produção de extrema exigência. Não houve uma semana em que não tínhamos “coisas” a acontecer no centro. Eventos, novas lojas, performances, demonstrações, atividades para crianças, apresentações de produtos, épocas festivas. Até hoje, foram centenas de conteúdos de vídeo já produzidos. Centenas. Mas a verdade é que não é fácil inovar em todos eles. E nós fizemo-lo. Há vídeos mais interessantes que outros, claramente. E, para muitas pessoas, os conteúdos têm aceitações diversas. No meu entender, que estive lá, há peças que mexem comigo. De simples que são, agregam valor. Levam-nos. Convencem-nos. E o tom de voz foi emergindo em todos eles. De forma natural.

Este pequeno vídeo é prova disso:

Um ano seguido de trabalho: de janeiro a dezembro. Mais tarde, no final do ano, captámos um testemunho do diretor-geral do Shopping acerca do nosso trabalho enquanto agência para utilizarmos no website. Para nossa surpresa, para além da confiança e assertividade das suas palavras sobre a nossa criatividade e disponibilidade, referiu a forma como definimos o tom de voz do Shopping. Nem de propósito. E esse pormenor fez toda a diferença. Recordo-me de estar a entrevistá-lo e a sentir uma emoção muito forte quando o ouvi dizer isso. Foi muito impactante. Missão cumprida. E desde então, temos seguido o caminho ao lado do Grupo IKEA, atualmente, Ingka Centers. As pessoas mudam, mas continuamos a colaborar. Um motivo extremo de orgulho.

Ali mesmo colado ao MAR, há o Designer Outlet Algarve. Um espaço diferente, dedicado ao conceito retail shopping, com descontos muito agressivos, uma identidade, uma forma de comunicar e uma personalidade bem distinta. Pertencem ao Retail Outlet Shopping (ROS), um grupo com um conceito distinto da primeira. A definição de um tom de voz para o Designer Outlet Algarve aconteceu de forma mais abrupta, mais comercial, mais diferenciadora. Não acertámos à primeira, de todo. Começámos pela cobertura de alguns eventos e, num deles, encontrámos o que procurávamos na mesa de edição. Foi preciso experimentar e falhar. Fomos sendo conduzidos até ao resultado ideal. Ritmos, imagem, cadência, estilo. Por fim, chegamos a isto:

Também para o Grupo Timing o tom de voz foi determinante. Até então, os conteúdos de vídeo produzidos tinham o objetivo de divulgar as campanhas de contratação do grupo. Eram vídeos curtos, “reels” e “stories” simples. Sem grande edição. Eu e o João sentimos que era altura de algo mais institucional, mais sério. Em conjunto com o departamento de marketing, organizámos uma produção que culminou nesta peça, também ela, responsável por uma identidade e estilo próprios de comunicação:

Depois, surgiu outro projeto: a Byho. A remodelação de uma casa, sem grande interesse para vídeo inicial, mas que acabou por culminar numa peça interessante exibida mais tarde no Algarve Design Meeting. O conceito utilizado foi diferenciador e, na minha opinião, espelha um tom de voz humorístico. Um estilo que poderia ser replicado em todas as remodelações que a empresa viesse a fazer:

Por último, mas não menos importante, o projeto Smart Bikes by Infralobo. Estivemos envolvidos na produção do evento de lançamento desde o início. E o tom de voz desenhado para o efeito foi da nossa inteira responsabilidade. Lembro-me bem do João Costa liderar este projeto. Lembro-me do gozo que nos deu em produzir. Um conteúdo destinado aos turistas, visitantes e residentes daquela área geográfica em que a Infralobo opera. Uma oportunidade para referir os pequenos segredos do lugar, as particularidades do produto e a vantagem do serviço. Um projeto que nos deu muito trabalho. O tom de voz dá trabalho. Não é simples, fácil nem automático. Até pode ser, mas nem sempre o é. Encontrá-lo exige atenção aos pormenores. Aos detalhes. Exige tempo de maturação. Exige experimentar. Criar. Desenhar. Pensar. Este é um exemplo disso:

E depois de partir muita “pedra”, o resultado foi este:

Definir um tom de voz significa definir uma personalidade.
Um estilo.
Uma persona.

É identidade.
É compromisso.
É carácter.
São valores em palavras.

Neste ano de 2018 tivemos a oportunidade de definir vários tons de voz, à nossa maneira, com o nosso estilo profissional.
Acrescentámos valor aos projetos. Ajudámos a posicioná-los.
Fizemo-lo de formas distintas. Com marcas distintas.

Naquela época, o claim da B16 era “Let’s make something Big”.
Na minha sincera opinião, foi isso que fizemos.

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