O tema da minha vida é o “Equilíbrio”.
Aos 47 anos consigo percebê-lo, mas até aqui não foi fácil a aprendizagem. Foram precisos todos esses anos de vivências, experiências, viagens, pessoas, objetivos, jornadas, ambições, conexões, excessos, muitos papéis, ideias e rabiscos.
Foi preciso toda esta miscelânea de ingredientes que compõem o cocktail de que sou feito.
Desde criança.
Desde sempre.
Equilíbrio, ou falta dele, neste caso.
Nunca soube onde fica o meio.
Ou é 8 ou é 80, nunca o 36.
Queria tudo em criança.
Queria tudo em adolescente.
Na juventude, nem me lembro de querer. Sugava.
Na universidade fiz de tudo: estudar, trabalhar, passear, divertir-me, experimentar. Fiz parte da Tuna. Inscrevi-me no grupo de teatro. Fiz inquéritos no CESOP. Até entrar na associação académica onde não descansei enquanto não cheguei a Presidente. Fizemos coisas. Muitas. E inscrevi-me em todas as disciplinas opcionais que pude. Assisti a tertúlias, conferências, encontros. Trabalhei em simultâneo numa rent-a-car e ainda fiz um estágio não remunerado no Centro de Congressos de Lisboa.
Depois do curso, fiz um estágio curricular na Fundação Oriente. Hoje, aquele estágio seria matéria para um semestre de uma dessas licenciaturas pós-bolonha. Ser ou não ser mais um estagiário? Fazer ou não fazer a diferença? Ser ou não ser reconhecido pelo trabalho, pela entrega, pela devoção? Para mim nunca foi uma questão.
80!
Nunca 8.
Nunca 36.
E assim foi.
Em todos os trabalhos que tive até aos dias de hoje: ou é, ou não é. Ou sou tudo, ou desinteresso-me e estou a um passo de procurar outro lugar. Para mim, a minha carreira profissional é onde tudo começa. Sem ela, sem o trabalho que faço, não consigo ter mais nada. É nele que encontro a minha realização base. É aqui que me reconheço enquanto “Eu”. Percebo muita coisa. Já li muitos livros, já fiz muita terapia, já experimentei muitos rituais de iluminação individual. É um tema discutível. Mas é a minha solidez enquanto ser humano. É aqui que tudo começa.
Para mim é inconcebível trabalhar em algo que não me realiza ou não me faz feliz. Isso não significa que “sacrifício”, “sangue”, “lágrimas” ou “suor” não sejam parte integrante dessa felicidade. São-no. Indiscutível. E é por isso que as vitórias sabem tão bem. E ainda há o means-to-an-end. Tive vários ao longo da vida, todos temporários. A rent-a-car onde trabalhei foi um deles. Não tanto a parte dos transfers citadinos ou intercidades, mas sobretudo a lavagem dos carros. Havia-os mesmo sujos e maltratados. O nosso trabalho era deixá-los como “novos”. E depois de lavar 20 carros de seguida, lavar um vigésimo primeiro abruptamente maltratado, pode custar um bocadinho… Mas é disso que somos feitos. Homens, não roedores.
Depois, houve o Teatro Municipal de Faro. Uma infraestrutura nova, a estrear, com uma equipa maravilhosa, uma programação fantástica, uma capital nacional da cultura recheada de pessoas, acontecimentos, momentos inesquecíveis. 3 anos e meio de pura entrega. Dias com 16 a 18 horas de trabalho de seguida. Algumas semanas de 7 dias de trabalho sem descanso. Ídolos, magia, amor, paixão. Entrega total e absoluta. Tenho muitas memórias desse tempo. Talvez fale delas mais adiante. Talvez não.
E depois, o Centro de Cópias que faliu.
E depois a Visualforma.
E depois a Releve Energia.
E depois, Moçambique.
E depois uma panóplia de lugares por onde passei, projetos que edifiquei, causas que abracei, onde a entrega fez parte integrante dos resultados. Onde as vitórias e as derrotas, as surpresas e as desilusões, as pessoas com carácter e as pessoas sem escrúpulos, os altos e os baixos, fizeram de mim quem sou hoje.
E o Equilíbrio, nunca a 36.
Passados todos estes anos, continua deficitário.
Depois, no episódio do energúmeno da Câmara Municipal de Faro (não o Presidente, repito), a falta de equilíbrio voltou a sucumbir a energia e a atirar-me do topo da torre em voo picado direto para as catacumbas do menos três (-3). Sou feito de fibra. Aço. Feridas, arranhões, braços e pernas partidas, mas tudo curável. Rijo que nem “moço da Penha”.
A minha Mulher, o nascimento da nossa filha, o momento “Fábrica de Conteúdos” que a B16 atravessava, tudo fatores acumuladores. Sentia-me forte, feroz, audaz. Capaz de comer os tais “dragões, elefantes, rinocerontes e leões” ao pequeno-almoço. Estava pronto para desafios sérios.
Tudo motivos, pilares, razões para voltar a um perigoso 80. Ebulição.
E foi com este sentimento que abracei o desafio lançado pelo Miguel Anastácio de ajudar a construir os conteúdos do novo website da Sisgarbe. Como já referi, foi o Miguel Fernandes que me apresentou ao Miguel Anastácio. Foi ele quem falou dessa oportunidade e fez o contacto entre as partes. Foi com essa referência que fui entusiasmado conhecer o Miguel Anastácio da Sisgarbe. Eu percebia de marketing e comunicação para empresas de tecnologias de informação. Já o tinha feito no passado. Entendia as dinâmicas. As necessidades. O posicionamento. As dores. E as oportunidades. E, a primeira conversa que tivemos levou-nos para mundos inimagináveis, sem ele ou eu percebermos para onde estávamos a caminhar.
Conheci o Miguel Fernandes num evento político. Ele foi apresentar o seu sonho do Algarve Tech Hub n’O Castelo (o tal) para o partido político que estava no poder na altura. Um projeto que estava pensado para o edifício do antigo Cinema de Santo António. Hoje é onde fica o atual Hotel 3HB de Faro. Mas o Miguel acreditava que o Algarve Tech Hub podia ser ali. Naquele monstro abandonado e cheio de potencial. E apresentou o seu sonho aos políticos presentes cuja profundidade não ultrapassava o raio de comprimento do próximo rissol ou imperial à borla. A Visão, Ambição e Vontade do Miguel que está hoje em velocidade cruzeiro além-fronteiras, foi-me dada a conhecer naquela apresentação, num fim de tarde de verão. Acho que o Miguel tinha umas Jordan calçadas. Não me recordo bem. Mas não foi nesse dia que falei com ele. Ou se não falei, também já não me lembro. Houve outros momentos em que tivemos juntos depois disso. E, não sei como, mas olhando para trás, não me recordo do dia exato ou do momento em que entrosamos como Amigos. A verdade é que Admiro muito o Miguel. Não só pelo que já fez por Faro, pelo Algarve, por Portugal; não só pela sua “doçura” enquanto pessoa; não só pela sua forma de ser e estar, positiva, construtiva e para diante; mas por aquele brilho que os líderes que tenho conhecido ao longo da vida têm. Aquele olhar, aquela postura, aquela determinação. O Miguel Fernandes é uma inspiração. Inspiro-me nele. Desejo-lhe tudo de bom para a sua vida pessoal, familiar e profissional. O mundo precisa de pessoas como o Miguel. O sonho que o Miguel apresentou neste evento político, em 2016, é hoje uma realidade. Está edificado, em curso, em funcionamento. Não se ficou pela promessa. Aconteceu. O Miguel é um empresário daqueles que conhece o mundo inteiro, que tem amigos espalhados, que tem projetos implementados, projetos em carteira e projetos que ainda não sabe que tem, mas tem, e que o serão em breve. Adoro as minhas conversas com ele. Adoro os momentos que já passamos juntos. São nossos. A amizade é mesmo assim. Não se transmite. Vive-se.
A Sisgarbe estava a preparar o lançamento do seu novo website. Precisava de um refresh nos conteúdos, de uma nova cara, de um novo look. A B16 foi referenciada como a solução para os textos, fotografias, paginação e mapeamento da informação. Sentamo-nos para uma breve conversa e acabamos por passar dias seguidos a “partir pedra”.
Equilíbrio. 80!
Tudo era oportunidade para mim. Eu questionei incansavelmente procurando o melhor resultado possível. Porque me envolvi. Porque a Sisgarbe estava na Penha. Porque o Miguel era uma pessoa interessante, humilde, simpática. Porque senti a causa Sisgarbe desde o primeiro dia em que a conheci. Em que ouvi falar dela. Em que levantei o véu da empresa cinzenta e passei a entender melhor as luzes, cores e oportunidades de melhoria da mesma. Havia tanto por fazer. Tanto.
Equilíbrio.
Nunca 36.
Porquê Sisgarbe? Qual a origem do nome? Há quanto tempo existe? Que serviços vende? Os top 5? Os mais difíceis de vender? Que Clientes tem? Volume de faturação? Operação? Equipa? Número de colaboradores? Porquê um website novo? Que oportunidades? Que canais? Como isto? Como aquilo? E, porque não isto? E porque não aquilo? E…
Almoço no Javali 1. Reunião na B16. Reunião na Sisgarbe. Telefonemas. Almoço no Javali 2. Reunião na B16. Reunião na Sisgarbe. Apresento-lhe esta pessoa, e mais esta, e mais esta. E, de repente, eu estava totalmente emergido naquele desafio, naquela causa, naquela equipa, naquela Visão de futuro para a empresa de que o Miguel Anastácio fazia parte.
Nós assinámos um acordo de confidencialidade entre as partes. Assino sempre que se justifica com os Clientes da B16. Tenho ética profissional e é sempre melhor para ambas as partes. Ou seja, há muita coisa que não posso partilhar de forma detalhada, mas a técnica que utilizei de forma espontânea e natural veio a revelar-se bastante útil para o futuro da B16. E a Sisgarbe foi apenas o começo.
Equilíbrio. 80!
Para que o website fosse um espelho da empresa Sisgarbe, era necessário investigar ao detalhe cada departamento, cada serviço, cada Cliente, perceber quais os pontos fortes em cada setor e fazer sobressair todo um mundo de informação através de uma narrativa de História, legado, inovação, transformação, crescimento, lealdade, apoio, disponibilidade, profissionalismo e qualidade. Um dos processos iniciais foi perceber como cada pessoa encarava o seu próprio trabalho para subentender os propósitos da cultura organizacional da empresa. Essa cultura deve refletir-se no branding. Foi o que fiz. Sentei-me com cada um dos colaboradores e tentei percebê-los de forma individualizada. O que faziam, como faziam, porque faziam. Quais as maiores dificuldades, quais os pontos fortes, quais os objetivos. Foram cerca de 30 pessoas em reuniões individuais. Umas de 30 minutos, outras de 3 horas. Umas mais longas que outras. Dependia de cada indivíduo. De cada tema. De cada resposta. Nalgumas foi fácil entender, noutras nem por isso. E a verdade é que depois disso fiz um retrato clarividente na minha cabeça de como funcionava aquela máquina, de como estava otimizada, de como estava dividida. Como operava, com que ferramentas, mecanismos, processos ou procedimentos. A empresa deixou de ser cinzenta naquela hora. Passou a ter cor. O rebranding demonstra-o. Os recursos humanos daquela organização deram origem a um posicionamento muito mais quente; muito mais humano; muito mais relacional. O laranja, roxo e cinzento que daí emergiram, o futurismo, a plástica, fizeram toda a diferença naquele universo de centenas de metros quadrados.
Depois, com o Miguel Anastácio, fomos construindo o futuro. O que começou por ser um pedido simples de desenvolvimento de conteúdo para o website, deu origem a um plano estratégico para os anos vindouros. Este incluía o Plano Operacional de Comunicação, o Rebranding, a estratégia comercial, a publicidade multicanal, a implementação de um Sistema de Gestão de Qualidade (SGQ, ISO 9001) e uma política específica para a cultura organizacional e para o sentimento de pertença dos seus colaboradores. Os meus mais recentes “amigos”. Ganhei-lhes afeto. Ouviram-me falar do crescimento da minha filhota. Acompanharam esse processo. Não havia forma de não me envolver. Todo o processo revelou ser uma parceria de crescimento de negócio. Cheguei a passar todas as manhãs do meu tempo, por mais de 6 meses, numa secretária que me foi destinada na empresa. A Sisgarbe foi um desafio, uma empreitada, um trabalho de devoção e empenho. Mas também foi colo. Também foi casa. Ainda hoje tenho uma estima muito grande por aquela equipa. Por aquelas pessoas.
80!
Tenho muito material que poderia mostrar ou apresentar: fotografias, vídeos, resultados, diversas peças, entre miríades de curiosidades interessantes. O caso de sucesso implementado na Sisgarbe é retratado na seção “Batalhas” do nosso website. O presente texto não é sobre esse caminho. É sobre demonstrar que o verdadeiro envolvimento dá resultados maiores. O Miguel Anastácio soube ativar isso em mim. Envolveu-me, deixou-me participar, deixou-me conectar. E a minha conexão trouxe resultados que não foram comprados pelo Miguel, mas que foram oriundos do meu fascínio pelo melhor resultado possível.
O João Costa ficava sozinho na B16 durante a manhã e eu ia ter com ele à hora de almoço. Todos os outros Clientes continuavam com os seus desafios, projetos, eventos e necessidades. E nós conversávamos sempre muito sobre o que estava em curso, o que estava pendente, se precisávamos de ajuda, se estava tudo ok, o que precisávamos de fazer primeiro, o que deixávamos em stand by, etc.. Fomos uma equipa sólida. Forte. Partilhamos a qualidade do produto final na forma de fazer. Estávamos alinhados. Conteúdos que podem parecer amadores, têm detalhes que os tornam diferenciadores. Nós íamos ao detalhe. E assim foi crescendo a nossa forma de fazer na empresa.
O equilíbrio advém da experiência, da maturidade, da perceção do Eu. É-nos intrínseco. No meu caso, a falta dele, também. Faz parte de mim. Este é o tema da minha vida: aprender onde fica o equilíbrio das “coisas”. E quando digo “coisas”, refiro-me a tudo. Os Clientes que me conhecem sabem-no. Os Clientes que me conhecem sabem que o Bruno motivado vale mais. E esse é o caminho.
O tema das guerras e dos guerrilheiros abordam o tema da motivação adicional há séculos. Os primórdios defendem-no. Os autores de guerra afirmam-no. Sun Tzu explica-o. Miríades de autores abordam o tema. E cada um de nós sabe quão é verdade. O “guerrilheiro” luta por algo maior, por uma ideologia, por uma consequência que o dispõe a arriscar mais; enquanto que o soldado regular, luta por obrigação laboral, pela estabilidade salarial e, verdadeiro ou falso, arrisca menos, é mais cauteloso. O Che Guevara dizia que “um guerrilheiro vale por 20 militares” e o Comandante português Pais de Ramos proclamava: “Chamas-te Milhais, mas vales Milhões!”. Na guerra ou nos negócios, a motivação traz sempre mais qualquer coisa.
Quando apresento uma proposta para um determinado serviço, a entrega do mesmo é de qualidade 100%. Não há conversa. É esse o meu mínimo. É inquestionável. Contudo, quando a envolvência é superior por algum motivo e existe falta de equilíbrio da minha parte, normalmente, o desfecho é simples: perco dinheiro. Porque dou mais horas, porque faço mais coisas, porque envolvo mais pessoas. Mas faço-o porque faz sentido para mim. Porque é “ali” que estou. Porque a vida, para mim, é isso: dar o melhor que sabemos nas coisas que fazemos. Na Sisgarbe, foi isso que aconteceu. E ainda bem.
80!