A parte ingrata, do presente exercício de escrita, é o curto relato que sobra e a ausência de rigor para com os nossos Clientes que, certamente, terão a sua versão da história, daquela devida altura. É a memória (ou falta dela); é a recordação (que não ficou); é a eminência inconsequente de um dia-a-dia que procura alcançar uma Visão (ou necessidade da mesma) – sem que para tal haja um reconhecimento do caminho, do percurso, da caminhada ou do trabalho em si. O processo é esse: a consciencialização de que o “Homem do Leme” deve gostar da navegação. Seja à bolina, seja a favor do vento, seja por estar apenas à deriva. Passados estes anos, é bonito ver o que já alcançámos. O que já vivemos. E em todas as PARTES do presente “10 Anos, Mesmos Valores”, a intenção é a mesma: contar, relatar, desvendar, marcar, comentar, celebrar e, sobretudo, recordar como evoluímos no processo. Assim penso.
O Viking esteve em várias batalhas que não podemos olvidar. Em vários projetos que fazem parte da nossa génese, do nosso caminho, da nossa missão. O Viking, que por sinal se chama Guerra, não teve medo de nenhuma. Agarrou-as com unhas e dentes. Sem medo. De frente.
E não foram poucas. Foram muitas. Já referi todo o trabalho para a empresa municipal Loulé Concelho Global, vídeos, fotografias, reportagens, entre miríades de conteúdos multimédia edificados por ele. Já referi alguns dos conteúdos para o Designer Outlet Algarve, produzidos e editados com a sua colaboração, nomeadamente, o trabalho fotográfico com os bailarinos e atores Cristina e Cláudio; os Late Night Shopping, o Hello Summer, entre a edição de short clips editados para esta época de social media que tendia a acelerar a um ritmo vertiginoso. Já mencionei também que foi ele quem “limpou” dezenas de edições pendentes para o Grupo Timing, entre elas, o vídeo Oh My Dog, os Casos de Sucesso de muitos trabalhadores contratados pela Timing, entre outros projetos que produzimos de forma residual. E também já referi que assegurou, produziu e editou dezenas (senão centenas) de conteúdos para o Meeting Place: Healthy Days, publireportagens e eventos, Dominguinhos, The Distinguished Gentleman’s Ride, campanhas publicitárias, entre outros.
Mas é neste capítulo que quero destacar dois grandes marcos na evolução da B16 (neste ano de 2019). Ambos relacionados com esse “lugar de encontro”, o MAR Shopping Algarve: o projeto Algarve Chef Experience e o projeto Uma Noite Mágica. Creio que ambos conseguiram, inclusive, fortalecer a relação com a Direção do Centro, estreitar as relações dos diversos intervenientes e, sobretudo, demonstrar que a B16 também erra. Mesmo errando, os valores, a ética, a forma de estar e fazer, a nobreza, o compromisso e a dedicação são muito maiores do que qualquer dificuldade que possa ocorrer.
Estamos aqui para o Iron Man, não para os “100 metros”. E o Viking e o “mocho” perceberam-no. E ajudaram-me. Tanto, que houve um momento em que é preciso pausar… Este.
Foi em março que iniciámos o projeto Algarve Chef Experience. Conversámos com cada um dos 4 Chefs, nos seus restaurantes do MAR Shopping Algarve, nos ambientes escolhidos pelos próprios, nos lugares eleitos e definidos para ajudar a engrandecer cada um dos 4 restaurantes deste projeto Maior. Havia uma necessidade emergente: comunicar os mesmos através dos canais de comunicação do centro, de modo a conseguir uma maior afluência das pessoas, quer pela qualidade, pelo produto, pelo produtor ou pelo conceito por detrás de cada um deles.
Se, para algumas pessoas, a informação de que a massa caseira do restaurante My Pasta obrigou a uma reformulação do desenho integral da cozinha e da forma como se produz as próprias massas internamente, faz deste restaurante algo sério; para outras pessoas, certamente, serão as ervas aromáticas que o Chef Michelin Louis Anjos escolheu que servem de elemento diferenciador na escolha deste restaurante italiano no shopping.
Se, para algumas pessoas, o conhecimento de que o profissionalismo mundial e transfronteiriço do Chef Michelin Leonel Pereira serviu para acomodar, numa cozinha pequena e limitada, décadas de experiência em toques eloquentes de sabores, especiarias, combinações e fusões de culturas no seu restaurante Thay Brás; para outras, certamente, foram o menu contrastante entre um prático de street food de “rua tailandesa” em contraponto com um clássico português que reuniram no mesmo lugar essa oferta exclusiva e incomum.
Este era o meu preferido.
Se, para algumas pessoas, a riqueza do Bistro francês, com as suas surpresas, encanto e mistério, demanda procura e necessidade de uma réplica de um espaço como este no algarve; para outras pessoas, certamente, eram os olhos que brilhavam ao ver uma cozinha industrial carregada de pessoas, conhecimento e requinte, no meio de um copo de champagne e de um tartare feito e cozinhado à sua frente pelo Chef Guy D’Oré.
Se, para algumas pessoas, o MAR Shopping Algarve oferece todo o tipo de oferta gastronómica, seja pelas cadeias internacionais, seja pelos projetos exclusivos e locais que ali persistem, como por exemplo, o Restaurante Portuguese Lab do Chef José Domingos, que conta no seu cardápio com clássicos portugueses, algarvios e algumas iguarias alentejanas sem paralelo; para outras pessoas, certamente, será a apresentação de cada prato, o tamanho da batata frita, o “ovo a cavalo”, o polvo, o bacalhau, a peça que se destaca no produto adquirido que convencem a mais uma refeição.
Nós conhecemos as pessoas. Privamos com elas.
O Louis, homem de família, incansável trabalhador e empresário que não dorme e que procura em cada pormenor a diferença da sua oferta; o fuzileiro Leonel que já erigiu monstros hoteleiros espalhados pelo mundo mas que casa aqui, numa fusão única, os sabores do oriente com o ocidente; o experiente relações públicas Guy que sabe receber, proporcionando familiaridade no seu balcão, enquanto deslumbra com mais um toque da couisine francese; ou o amante da Ria Formosa José, também ele homem de família, formador, empresário e profissional da cozinha há várias décadas, com os pés no chão e uma noção presente da sua missão.
Nós vimo-los cozinhar. Provámos da sua comida. Não pagámos os pratos que nos ofereceram. Foram-nos cozinhados. Eram deliciosos. E as captações de vídeo tinham essa missão de agradecimento emocional. Pelo menos era essa a intenção.
Foi em março desse ano que tivemos a oportunidade de conhecer, provar, viver, experienciar e perceber o que estava por detrás do projeto Algarve Chef Experience. Uma vontade conceptual ao género do Mercado da Ribeira (Time Out Market Lisboa), mas que não teve a mesma aceitação na região algarvia.
Não sabemos se por causa da divulgação; se por causa da promoção; se por causa da ousadia ou falta de conhecimento dos públicos-alvo; se por qualquer outro motivo. A verdade é que, nos dias de hoje, esse projeto terminou. Não tem mais lugar no MAR Shopping Algarve. Faz parte da história. É passado. E os homens que nele acreditaram não mereceram um final tão prematuro.
Nós amávamos aquela comida. Podíamos pagar um pouco mais, talvez mais 25% do que num restaurante de cadeia internacional, mas ali estávamos a comer ingredientes frescos, bem confecionados, regulados, com o propósito de celebrar a confeção de produtos de qualidade. Alguém não percebeu essa mais valia neste projeto. E eu, que amava aquele pad thai do Chef Leonel Pereira, agora tenho de comê-lo noutro lugar.
Independentemente de tudo isso, a B16 filmou os restaurantes, a confeção dos pratos, os funcionários e entrevistamos os seus fundadores. Mas, com a tal “ida para as ondas” referida há dois capítulos atrás, os brutos ficaram no disco rígido à espera de ser editados. E eu sofri com isso de forma incansável, constante, ensurdecedora, complexa e muito difícil.
Era recorrente cruzar-me com os Chefs e receber um olhar, uma pergunta ou um gesto que procurava saber: quando é que está pronto? Quando é que sai? Estamos cheios de vontade de ver o resultado final… Já está? Ao que eu não sabia responder por não ter alternativa.
O que fazia no momento, servia para pagar as contas; o que faltava fazer, ainda não tinha forma de ser feito. Lá iria chegar, mas não sabia bem como.
De março a outubro passou-se mais de meio ano. As expressões dos Chefs, como podem imaginar, passaram de curiosidade para deceção; para tristeza e desilusão. O próprio shopping perguntava-me incessantemente pelos resultados. O clima instalado era de um desconforto sem igual. E eu, ainda hoje me sinto culpado pela ausência do projeto, uma vez que não conseguimos apresentar os conteúdos de vídeo no momento em que nos foram pedidos. Não me culpo pelo projeto não ter sido bem-sucedido, mas sou responsável na integra por esse silêncio feroz, por essa ausência atroz, por essa delonga (in) veloz.
Foram o João Guerra e o Ricardo Flôxo que me ajudaram a editar os conteúdos. Naquela altura era necessário transcrever as entrevistas à mão. Não havia a ajuda da IA que hoje resolve em menos de 5 minutos. Naquela altura eram horas de “pausa-play” para registar tudo o que era dito, falado, anotado relativamente a uma qualquer entrevista. Eu transcrevi todas as entrevistas. Encontrei momentos lindos que podiam ser cortados e usados como clips isolados nas redes sociais e os must have de cada entrevista aos 4 Chefs. Foi um trabalho que começou comigo e com o João Costa, depois passou para mim, depois passou para o Guerra e para o Ricardo, sempre comigo presente. Eu sabia o que tínhamos e o que não tínhamos. Estava preparado para apresentar tudo o que produzimos e editados, juntamente com um plano de divulgação para o próprio Centro.
Foi apenas em novembro de 2019 que conseguimos agendar uma reunião para apresentar o resultado final aos Chefs e à direção do MAR Shopping Algarve. Éramos muitos naquela mesa comprida e silenciosa. Foi impactante. Quando cheguei, estavam o Diretor Geral, o Diretor de Marketing, membros da direção do shopping, os 4 Chefs (alguns traziam companhia), eu e o Ricardo Flôxo. Foram caras frias. Olhares sérios. Senti-me pronto a ser fuzilado contra o muro da responsabilidade. Enchi-me de coragem e dei o corpo às balas. A reunião começou com as palavras da Direção. Mais tarde, as palavras dos Chefs. Todas elas, lamentando a demora na apresentação do resultado final. Eu, recebi devagar cada tiro que as minhas costelas, peito, pescoço, braços, costas e demais zonas do corpo. Sentia-as entrar. A cada uma. Mas sem medo. Por fim, chegou a mim. Era a minha vez de falar. E desabei. Destruído. Envolto numa mistura de emoção e de superação individual. Pedi-lhes desculpas de forma repetida, justifiquei a delonga com todo o processo de recursos humanos que a B16 sofrera nos meses antecedentes, inclusive, disse-lhes que me responsabilizava por todo o processo. A empresa é representada por mim e numa relação profissional é esse tipo de compromisso que se quer. Compromisso, responsabilidade, palavra, honra e entrega. E foi isso que assumi. Disse-lhes inclusive que, se não gostassem do que eu iria passar a apresentar, que poderia refazer a edição de acordo com as necessidades de cada Chef. Falei em português. A páginas tantas, olhei para o Diretor Herman que não entendeu as minhas palavras, mas entendeu o meu propósito. E então comecei, um a um, vídeo a vídeo. Play. Olhava para o Chef e perguntava: que tal? Outro. O mesmo. E este? O que acha deste? E este? E, passadas algumas horas, o ambiente da sala virou. Mudou. Transformou-se. De repente, todos estávamos novamente no mesmo lugar. Na mesma expectativa. E o problema resolveu-se, ali, naquele momento.
Foi uma aprendizagem difícil. Hoje faria diferente. Atuaria de forma completamente diferente. Mas naquele caso foi assim e esse momento faz parte de mim, da B16 e das relações que tenho estabelecido até hoje. Talvez o momento que vivemos atualmente (2026) não demonstre quão bons ficaram os vídeos naquela altura – porque hoje consumimos tudo a toda a hora e tudo é efémero e já passou -, mas naquela altura, aqueles conteúdos respiravam, tocavam, contemplavam a verdade. E eu envolvi-me. A fundo.
Destaco um vídeo por cada restaurante:
Creio que este momento foi bastante relevante para reforçar a confiança que a Direção do Shopping recuperou na B16.
…
Umas semanas mais tarde, fomos chamados a participar naquele que é o momento mais lindo que alguma vez vivi neste lugar. Comigo foi o João Guerra que, desde o primeiro momento, aceitou este desafio como se fosse dele.
Confesso que não tive o discernimento de perceber inicialmente o que iriamos fazer.
O desafio que se nos foi lançado foi acompanhar um período de inúmeras atividades relacionadas com as festividades natalícias, algo que já estávamos acostumados a fazer nos anos anteriores. Contudo, este ano foi diferente. Não eram apenas atrações, eventos, decorações, ideias, concursos, ofertas, promoções ou atividades para diversos públicos. Havia um momento específico nesse mesmo programa. Um momento chamado Uma Noite Mágica que consistia em acompanhar um grupo de crianças oriundo de um lar de acolhimento de Loulé. Crianças com passados, histórias, origens e situações de tal forma abruptas que nem sei por onde começar a demonstrar a dor que se me deu assim que mas foram contadas pelas pessoas responsáveis. Seres humanos extraordinários. Altruístas.
Olhava, escutava, ouvia e lembrava-me da minha filha e de como é possível fazerem tais coisas a crianças que não têm culpa de nada. As crianças. Foram as crianças. Começou tudo neste projeto e estendeu-se para mais adiante, conforme poderão ver nos próximos capítulos.
E foram estas crianças em particular que estabeleceram uma relação entre mim e o João sem qualquer comparação. O Guerra e eu virámos um. Foi algo incontável. Indescritível. Foi nosso. E, como está protegido por direitos de autor, direitos de imagem, direitos de veiculação, também este vídeo requer o pedido de uma password específica, como fiz num capítulo anterior em que, para poderem vê-lo, terão de me enviar um e-mail diretamente (bruno@b16.pt). O que posso prometer é que, foi o projeto mais delicioso, tocante e inesquecível em que participei desde que comecei a trabalhar com o MAR Shopping Algarve, há quase 10 anos atrás.
Mais tarde, meses mais tarde, já depois das festividades, fomos ao centro de acolhimento apresentar o vídeo que produzimos. As crianças, as educadoras, os responsáveis, a equipa do MAR Shopping Algarve, nós e alguma outra entidade espiritual que fez daquele momento algo eterno, assistimos com atenção ao momento. Filmamo-lo. Registamo-lo. Gravamo-lo com o telemóvel. Tem baixa resolução, mas é qualquer coisa de delicioso. As crianças a ouvirem-se falar, a recordarem o Pai Natal, a noite no centro, as atividades, os mimos, tudo o que foi preparado para eles. Comprovamos que a nossa entrega, o nosso trabalho, a nossa devoção àquela causa em particular trouxe frutos inquantificáveis. A mim e ao João Guerra.
Aprendi com os meus pais que a realização profissional é o começo. O início. A essência de todas as restantes estabilidades que encontramos na vida. Se formos felizes no que fazemos profissionalmente, tudo o resto vem com mais força e maior clareza. Nunca tive medo de trabalhar. Sempre me entreguei. Sempre dei o máximo. Para mim não há outra forma de fazer. E quando digo “o máximo”, refiro-me a todas as fases: ao desafio, à abordagem, às tarefas, aos objetivos, à metodologia, à forma, ao propósito, ao ganho, ao conceito inerente, à necessidade. A tudo. O processo sempre foi estimulante, mesmo que as tarefas sejam monótonas ou de tal forma mecânicas que o desgaste é físico e esgotante. O processo sempre foi estimulante, mesmo quando a resposta ao desafio parece ser impossível e a alternativa não é clara. O processo sempre foi estimulante, com ou sem pessoas envolvidas, é na ação que está a inovação. O processo. Os processos. O processamento da informação após a experiência. Desde o primeiro trabalho. Apanhar tomates no Ribatejo, ao calor, à séria. Lavar vidros de carros nos semáforos aos sábados de manhã. Receber e monitorar Clientes num ginásio, de sol a sol. Conduzir, estacionar, transportar, limpar, lavar, aspirar viaturas de uma rent-a-car em pleno aeroporto de lisboa. Realizar inquéritos no centro de sondagens e opinião da Universidade Católica Portuguesa. Estagiar. Ser copeiro. Ser barman. Ser carregador. Ser operador. Ser marketter. Ser Produtor. Realizador. Formador. Comunicador. Ser sócio-gerente. Diretor-geral. Administrador. Ser empreendedor. Ser voluntário. Ser escritor. Toda e qualquer função que me trouxe até aqui é parte integrante de quem sou hoje. E quando recordo estes trabalhos realizados na companhia do João Guerra, sinto, sem margem para dúvida, que apesar do esforço, dificuldades, desafios e propósitos, sou extremamente feliz no que faço. Um afortunado. Lutei e a realização existe. Vale a pena. A todos aqueles que ambicionam, mas têm dúvidas, ser empresário tem momentos muito difíceis, mas as vitórias têm cores de um final feliz inesquecível. A B16 faz-me feliz. Muito.