10 anos | Parte IV – Por debaixo do lobo

23 Julho 2026

Conta a lenda que Rómulo e Remo fundaram Roma onde, outrora, os dois gémeos tinham sido abandonados e salvos por Luperca, a loba que os acolheu e amamentou. Esta lenda divina faz parte da história do cristianismo e representa, per si, um conjunto infindável de análises, conclusões, filosofias e considerações quanto ao âmago da história civilizacional. Lembro-me recorrentemente dela sempre que recordo um dos Clientes de que mais me orgulho: a Infralobo. Também nós, sem sabermos, fundámos “Roma” num espaço geográfico onde caímos de para-quedas. É, sinceramente, o que eu sinto. Quando começámos a trabalhar nesta empresa de serviços municipalizados, tudo era cinzento, escuro e institucional. Faltavam cores. Faltava transparência. Faltava embalagem. Simplicidade na comunicação dos serviços e dos objetivos. E, com todo o respeito, também nós tivemos uma Luperca. A nossa chama-se Marcelo Souto. Foi ele quem fez a magia da amamentação. Foi ele quem nos ouviu “chorar” e nos amamentou ao ponto de chegar o Pastor que nos deu a mão. Depois disso, é história. Passo a explicar.

Já tive oportunidade de referir anteriormente que recebíamos desafios deste Cliente de forma persistente. Nos anos anteriores fizemos o logótipo e conceito inicial Smart Resort by Infralobo. Mais tarde lançámos o serviço Smart Bikes by Infralobo. E neste ano de 2019 tivemos vários marcos importantes.

O primeiro foi o lançamento do serviço Smart Irrigation System by Infralobo. O vídeo explica, de forma sucinta, o que foi feito e como:

O mesmo foi feito com o serviço de recolha de resíduos, Smart Waste System by Infralobo:

E, com todas estas tecnologias em funcionamento, o puzzle começava a ganhar forma, cor e propósito.

O trabalho que fizemos para a Infralobo foi o resultado de muita criatividade, concertação de equipa, humildade no processo de brainstorming, experimentalismo e tentativa erro. Depois era repetir. Tentativa erro. Tentativa erro. E neste processo de experimenta, falha, refaz, volta a fazer, surge-nos uma ideia absolutamente inesperada que nem eu, nem o Costa, nos apercebemos do potencial da oportunidade. Foi o Marcelo quem ligou as peças. Foi o Marcelo quem pintou o quadro. A Visão foi dele. E depois do quadro pintado, tudo o resto veio em catadupa. A animação, o texto, a voz, o tempo, o storytelling.

Quem vê o vídeo Smart Future by Infralobo entende facilmente como opera esta empresa, quais os seus objetivos, quais os seus serviços, quais os seus números, resultados, desafios, etc. Um conteúdo que ainda hoje subsiste e para o qual já fizemos várias atualizações de voz, de serviços, de informação. E quando um conteúdo produzido se aguenta no tempo, então o nosso trabalho foi bem feito. É motivo de vitória. De orgulho. É marco na história de quem nele participou.

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A B16 ajudou a edificar a cidade do futuro. Fomos 3 figuras importantes na edificação deste lugar. Com ou sem sacrifício humano, edificamos a visão empresarial de forma inovadora. E importa lembrar que em 2019 este tipo de tecnologia implementada na Infralobo estava a dar os primeiros passos. Se este é “o primeiro smart resort do mundo”, imagine-se o contágio proliferado em todas as entidades que dele beberam. Nós, vimo-lo nascer, crescer, amadurecer e gritar ao mundo sem rodeios o seu propósito de vida. Privilégio.

Foram as vontades do Presidente do Conselho de Administração da altura, Carlos Manso, que lançaram o mote para os resultados obtidos. Ele motivava-nos. Construía connosco. Não se limitava a pedir, ele desafiava-nos a inovar e a crescer com a Infralobo. E foi isso mesmo que aconteceu. Produzimos conteúdos para apresentação aos stakeholders, produzimos apresentações para eventos empresariais, produzimos conteúdos para as redes sociais, produzimos conteúdos para eventos municipais e, sobretudo, inovámos em todos eles. Foi um processo demorado e em crescendo que muito nos orgulha, como tantas vezes já referi. Mas recordo-me da quantidade de elogios que recebemos ao longo dos meses deste ano. Em vários lugares. Com vários públicos. E o Carlos sempre fez questão que participássemos nos eventos que tinham como foco a explicação do conceito e da empresa. Brilhámos e “inchámos” em todos eles.

Posso parecer lamechas neste capítulo. Repetitivo, inclusive. São momentos em que o crescimento pessoal e coletivo acontece sem nos apercebermos. Marca, indelevelmente. Profundamente. Não sou religioso. Nunca fui. Não acredito em Deus. Não acredito em Jesus Cristo. Nem em Alá. Nem nos milhares de deuses indianos. Nem em Budha. Nem em Zeus. Tenho uma forma de encarar os poderes superiores bem terrestre. Para mim, um dos seres superiores mais presente na minha experiência pessoal, nomeadamente, no meu alcoolismo, é bastante simples de identificar: são todos aqueles que, como eu, lutam pela sobriedade diariamente. Aqueles que passaram décadas em recuperação e têm a hombridade, altruísmo e o amor incondicional de estar lá para o recém-chegado; para o alcoólico em necessidade; para a alma frágil, ténue e incompreendida que precisa de uma mão amiga. São todos aqueles que, como muitos, lutam por tantas e diversas lutas injustas do dia-a-dia: a dor da prematuridade, as doenças crónicas ou degenerativas, a saúde mental invisível, a infertilidade, limitação funcional ou dor crónica diária. São todos aqueles que, como muitos, sofrem de violência doméstica continuada, sofrem de inversão de papéis cuidadores, lutos invertidos e precoces, ou parentalidade atípica. São todos aqueles que cuidam do próximo: o verdadeiro médico, enfermeiro, auxiliar; o verdadeiro professor, tutor, pedagogo. São os guerreiros. Os combatentes. Os soldados. Os bombeiros. Os sobreviventes. Os salvadores. Para mim, na minha versão de ser superior, estão muitas pessoas terrestres que não têm o devido reconhecimento. Não têm a devida perceção social do quão importantes são. E posso enumerar mais. Tantos mais. Nem preciso de me lembrar das recordações que guardo de Moçambique. De África, no seu todo. Não preciso de escrever sobre os verdadeiros Super Heróis que ali se vêm, no dia-a-dia, em cada esquina. E que mais ninguém quer ver no mundo por se tratar de algo tão violento e mortífero para a tranquila mente humana do presente que por ali se queda, na obscuridade, no desconhecido. Há seres superiores por toda a parte. Mas também há o desconhecido. É nesse espaço obscuro que as pessoas procuram respostas, confortos, histórias em que se apoiar. E não consigo responder a tantas perguntas. Tantas. E depois há aquela, já conhecida. Uma das Perguntas da vida. Quem foi o Criador? Quem terá sido? Quem pensou na complexidade do corpo humano? Quem imaginou o detalhe da natureza? Quem mecanizou a dinâmica terrestre, galáctica ou espacial? E entrar no mundo da ciência é aceitar que há uma complexidade inexplicável num determinado ponto e onde prevalece a hipótese melhor fundamentada. Será que todos os cientistas, biólogos, físicos, médicos, veterinários, astrofísicos, cosmólogos, paleontólogos, antropólogos, psicólogos, investigadores e filósofos acreditam na teoria do Big Bang? É porque a complexidade analítica do universo é deveras inexplicável para o comum mortal, que nem eu. É por razões como esta que buscamos algo. Procuramos Fé. É por essa razão que acreditamos em líderes. Em personagens. É por essa razão que se escrevem lendas. Tal e qual a da Luperca. E do Rómulo e do Remo. E do pastor, o salvador. A comparação do Smart Future by Infralobo ao momento da criação é absolutamente descabida e exagerada. Tenho a perfeita noção disso. Não é minha intenção equipará-las. Mas, à semelhança da criação de Roma; à imagem do sentido da lenda; na metáfora por debaixo da loba e dos gémeos; talvez o que fizemos também teve a sua importância. E talvez não seja assim tão descabido. No período anterior às civilizações humanas, não havia computadores nem internet. O tempo era outro. Passava-se de outra forma. E nós, nesta irrisória composição de palavras, sentimo-nos verdadeiros pensadores, estrategas, arquitetos deste lugar inovador e tão “nosso”. Demos vida a uma “cidade” que tem as suas particularidades, complexidades e detalhes incríveis. Não com a mesma História onde todas as estradas vão dar; mas com esta história, neste lugar. Também nós, amamentados pela loba, sobrevivemos e demos origem ao nosso lugar. À nossa escala, claro.

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