2020 foi um ano psicótico.
Por diversos motivos.
Maus, ruins, complexos, difíceis.
Inexplicáveis, inesperados, desconhecidos.
Assustadores, diferenciadores, perturbadores.
Chocantes. Físicos. Horríveis.
2020 foi o ano em que:
O meu pai foi internado no hospital com um cancro terrível.
Fomos confrontados com uma situação financeira familiar inesperada.
Parti a falange, o metacarpo, o hamato e o pisiforme da minha mão direita.
Recebi três telefonemas com o cancelamento de todos os projetos previstos para esse ano.
A reativação do projeto Reconstruir Moçambique morreu em março.
Fui obrigado a contrair um crédito bancário para a tesouraria da B16.
Tive de vender mobília, objetos e outros itens para poder pagar contas em casa.
Tive de deixar de trabalhar com o Viking por falta de liquidez.
Separei-me por largas semanas da minha Mulher, obrigando a nossa filha Olívia a pernoitar em casas distintas…
Apareceu a pandemia…

E toda essa pressão social, desumana, global, atroz oriunda de todos aqueles que acreditavam que na vacina residia a salvação. Que era obrigatória. Inquestionável. Quem não fosse vacinado era um criminoso. Eu não! Eu não fui vacinado! Graças ao apoio moral do meu Amigo Eduardo. Graças a várias pessoas. Graças à comunicação com a Rute. Graças à capacidade de nos abstrairmos do mundo e de fazermos o nosso próprio caminho. Por duas ou três vezes quase que vacilámos. Não se podia fazer nada sem a vacina. Era inacreditável. Doentio. Mas conseguimos aguentar. Não cedemos. Mantivemo-nos firmes. Hirtos
Neste ano somamos mais 2 mil quilómetros de distância à minha “viagem”.
Mas hoje,
depois de todo o pânico, da leva de terror,
vendo de longe e de forma positiva:
Teve memória, conexão, cor e alguma magia.
Trouxe inovação, criatividade, adaptação.
Forçou mudança(s).
Rebentou a verdade, de forma real e frontal.
2020 (também) foi o ano em que:
A minha família não sofreu de forma direta as consequências da Covid-19.
O meu pai teve um acompanhamento exemplar nos lugares onde esteve internado.
O confinamento da minha família aconteceu no Ludo.
A B16 mudou de escritório para a CELFIL.
O programa +COESO foi aprovado.
Produzimos conteúdos para vários clientes.
Apanhámos altas ondas em Sagres.
Atualizámos o nosso showreel.
Iniciámos a nossa estratégia comercial.
E a nossa relação com o projeto do burro…

E nem eu, nem a minha família, tivemos quaisquer mazelas físicas nesse percurso, como tantas outras pessoas que – perto ou longe – vimos sucumbirem e cederem a essa leva mundial de sofrimento aterrorizador.
Foi um ano em que iniciámos correntes de conteúdos diferenciadoras. Preparados para uma maior difusão digital. Com uma forte componente on-line. O Mundo como o conhecíamos mudou. Tudo ficou diferente. Foi a partir deste ano que o Ser Humano passou a adaptar-se a outras formas de comunicar, trabalhar, operar. E nós tivemos lá, participámos, fizemos parte.
2020 foi um ano psicótico.
Bipolar (agudo) e esquizofrénico.
Um ano de poppers, salvia ou LSD fora de prazo.
Ópio húmido fumado em cachimbo de papel rente.
Já tinha visto e feito muitas coisas na vida, mas nunca tinha vivido um ano como este.